Essa eterna história do príncipe encantado, que vem no seu cavalo branco salvar a donzela indefesa que está presa na torre. Essa eterna história, que é tão bonita, mas tão pouco aplicada ao real.
A verdade, é que levamos com essas histórias, logo pela infância, com os contos de fadas. E assim continuamos com as comédias românticas. Mas são historias. São históricas encantadas, mas inventadas também. Saídas da cabeça de alguém, e não da vida real. A maior parte, claro, existem sempre excepções.
Gostava bastante de conseguir continuar a acreditar nisso, mas é impossível. Completamente impossível.
Admiro quem o faça. A sério que admiro. Do fundo do coração. Quem continue fechada na torre, a ver a vida passar, oportunidades a passar, à espera que o príncipe encantado apareça e a salve. E de quê? Dela própria. Dela mesma.
Admiro quem continue a acreditar que nas relações tudo é perfeito, tudo é bonito, e que acertam à primeira tentativa. Sem cair. Sem tropeçar. Sem sofrer.
Admiro quem acredita.
E invejo quem teve essa sorte, de acertar à primeira.
Eu também acreditava nisso. Também ficava na torre, à espera de um príncipe encantado. Também ficava fechada, dentro de mim mesma, a ver a vida passar. E a verdade, é que um dia apareceu um. Pensava eu. E simplesmente atirei-me da torre. Em queda livre. E pensava que ele ficava cá em baixo, para me agarrar. Mas não ficou. E a queda livre, foi mesmo queda. Uma grande queda.
E nas histórias encantadas, não é assim que acontece. Ela salta da torre, ele agarra-a e vão os dois.
Mas não foi assim comigo. Levantei-me. Ergui a cabeça, e segui, mundo fora. Mais frágil, mas ao mesmo tempo mais forte.
Voltar para a torre, nunca. Nunca mais.
Agora que me mandei dela, que caí dela, não pretendo voltar lá. Continuo em queda livre. Mas a diferença é que não espero que ninguém me apanhe. Não espero que um príncipe encantado apareça do nada e me apare a queda.
Eu vou mundo fora.
Quanto a príncipes encantados, ou sem encanto, pode ser que um dia esbarre um em mim. Um dia. E quando isso acontecer, não irei regressar a uma torre. Mas irei para um castelo.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Subscrever:
Mensagens (Atom)